terça-feira, 24 de março de 2020

Ser normal desde nunca

Nunca fui uma criança "normal", sempre gostei de coisas que nenhuma criança que eu conhecia gostava, sempre me senti muito incomodada em ambientes com muitas pessoas falando ao mesmo tempo. Na hora do recreio na primeira série, eu ficava escondida atrás de um portão, era tranquilo, tinha a visão para a horta da escola e ficava observando os pombos, conseguia sentir paz em algo tão pequeno.
Enquanto as crianças corriam desesperadamente e gritavam eu estava protegida, quando o silêncio começava a tomar conta do pátio, sabia que estava perto da hora de sair do meu esconderijo e voltar para sala. Obviamente não tinha amigas ou amigos, mas na real isso não me importava muito, me sentia bem sozinha.
Ao retornar para casa, minha alegria era arrumar o quarto dos meus pais, onde eu também dormia; limpar o chão com pano e sabão abrir as duas janelas que deixaram o ambiente super iluminado. Com o chão limpo gostava de deitar e sentir o frio do chão, geralmente deitava embaixo da cama dos meus pais e lá eu sentia paz, estávamos lá eu e meus pensamentos sobre o universo, sobre a existência material.
Ao cair da tarde, subia na laje de casa e deitava no chão para observar as nuvens, ficava imaginando como era Deus e os anjos e se um dia poderia vê-los brincar entre as nuvens, nunca tive este privilégio mas costumava ficar feliz com as diferentes forma que via nas nuvens, amava ver o céu rosado do final da tarde, sentia paz e uma conexão comigo mesma inexplicável.

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